terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Comunidade Boi Morto

Essa estória começa aproximadamente a 30 km do município de São Raimundo Nonato em uma comunidade quilombola (onde vivem descendentes de escravos) chamada de Boi Morto.

Quando fui pela primeira vez à comunidade, levei um susto!

Calma eu explico. Sempre passei a maior parte do meu tempo na cidade, sabia que no interior do município havia dificuldades, mas na comunidade Boi Morto além das dificuldades comuns em um interior,existe também a exclusão social por parte dos nossos governantes. Imagine você, lá não tem água encanada, nem energia elétrica, um difícil acesso por conta de estradas ruins, nem obras básicas por parte da prefeitura municipal ou do governo estadual (escolas, praças, posto de saúde, etc). Para não exagerar existe uma barragem feita a não sei quantos anos atrás.

Cheguei até a pensar que nem existia gente por aquelas bandas, foi aí que me enganei. Quanto mais me demorava na comunidade ia descobrindo que existia gente sim, pessoas que surpreenderam bastante. Apesar das dificuldades citadas no texto, lá vivem pessoas de coragem, com sonhos, esperanças, amor.

Conheci seu Audi e a dona Zélia, um casal de coragem, pessoas que enfrentam no seu cotidiano muitas dificuldades, mas eles não se entregam, lutam muito. Seu Audi trabalha na confecção dos cestos do Boi morto, para ajudar na renda de sua família. Para a produção dos cestos ele vai de bicicleta procurar os cipós, a 15 km de distância da sua casa. Quando chega passa mais ou menos 3dias no trabalho artesanal fazendo o cesto. Dona Zélia também o ajuda na produção, mas por enquanto essa produção é só por encomenda.













Agora tenho o prazer de apresentar para você leitor os meninos e meninas da comunidade Boi Morto. São 22 jovens alunos com idades entre 16 e 24 anos que fazem parte do Projovem Rural. Um projeto aplicado pela FUNSEDH (Fundação Social de Educação e Desenvolvimento Humano) que se localiza na cidade de São Raimundo Nonato. Tal projeto tem como finalidade despertar no jovem o espírito de empreendedor para que possam desenvolver uma atividade econômica para sua comunidade.

Tiveram problemas, mas um que estava dando dor de cabeça. Era onde poderia acontecer as aulas, se na comunidade não tem prédio escolar ou qualquer outro espaço para receberem esse curso. Como você imagina que eles fizeram para acontecer esse curso?

Para os jovens do Boi Morto não deixar passar essa oportunidade de conhecimento, se uniram pais e alunos e começaram a trabalhar na construção de uma sala, um espaço para eles receberem as aulas.

Essa sala de aula foi construída com madeira, um telhado de palha. Bem parecida com uma palhoça. Hoje em dia eles estão lá na sala construída por eles mesmos estudando com a esperança de um futuro menos doloroso.

Com essa atitude os jovens da comunidade Boi Morto, estão reescrevendo sua história, se capacitando, superando as dificuldades, recuperando sua cidadania, sonhando com o amanhã, que com certeza será bem mais acolhedor.


Por: Juliano Arão

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