A equipe do Sertão Vivo acompanhou um evento de extrema importância para a cultura do nosso povo. Trata-se da apresentação teatral do grupo Culturarte ocorrida no dia 06 de janeiro deste ano.
O grupo, que já tem tradição em encenar a peça das festividades de Reis no bairro Gavião, contou este ano com um atrativo a mais: uma peça de autoria do renomado escritor paraibano Ariano Suassuna, intitulada “Torturas de um coração”.
O espetáculo teve palco na famosa “Rua das Pedras”, no bairro Gavião, em frente à residência de um dos membros do grupo Culturarte. Improvisado, o cenário tinha cortinas, luz e objetos confeccionados pelos membros do valente grupo teatral. Como esclareceu um dos atores antes da apresentação, o grupo já batalha há tempos para a construção de uma sede própria, mas sempre esbarram na velha barreira da falta de recursos próprios e do pouco investimento público em cultura.
Bem, falemos do mais importante, o espetáculo. A peça “Torturas de um coração” encenou a estória de um sertanejo “frouxo” (medroso) que almejava conquistar sua amada tirando do páreo os dois maiores valentões da pacata cidade interiorana onde se passava a trama. À lá João Grilo e Chicó (famosos personagem da peça e livro “O auto da Compadecida” escrita em 1955 também por Ariano Suassuna), o personagem nuclear da peça enganou os dois valentões e pregou-lhes uma bela lição de moral. Fim? Engana-se quem pensa que no fim o herói ficou com a mocinha, pois esta não perdeu tempo. Enquanto os outros se demoraram na disputa por sua mão, ela encontrou outro pretendente e com este ficou, dando ao fim da peça um ar de “quase” final feliz.
Logo após a apresentação da peça descrita acima o grupo fechou a noite com o animadíssimo Reisado, em que se passa estória de um mítico Boi, que tem sua trajetória contada com muita música e poesia folclórica. Numa seqüência inebriante de entrada e saída personagens que adornam a narrativa, o (pequeno e empolgado) público presente delirou e aplaudiu muito a apresentação.
Noite mágica.
O grupo Culturarte mostrou que com determinação e boa vontade se pode fazer movimentos culturais mesmo onde não há condições pra tanto .
É gente daqui promovendo cultura. VALORIZEMOS!
por James Araujo
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