quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Trupe do Sol



No dia 17 de janeiro de 2009, sábado, houve um evento incomum em São Raimundo Nonato. Uma dupla de cantores e instrumentistas baianos, intitulada “Trupe do Sol”, apresentou-se na pizzaria Ruffo’s, situada no bairro aldeia. Até aí nada de incomum, não é mesmo? Pois é. O fato interessante é a forma de autopromoção e circulação dos artistas. Eles viajam sem contrato previamente assinado, mesmo sem conhecer pessoas na cidade pra onde vão. Ao chegar procuram lugares onde possam fazer seu show e conseguir dinheiro pra continuar seguindo viagem.

E é assim, de forma corajosa e totalmente independente que a “Trupe do Sol” monta seu pequeno aparato de som (duas pequenas caixas de som suspensas, violão, pandeiro e flauta doce) e dispara várias pérolas do cancioneiro popular brasileiro – diga-se Alceu Valença, Novos Baianos, Jorge Ben Jor, Raul Seixas - , além de mostrar as próprias composições. As canções autorais da dupla estão registradas num CD que eles carregam consigo e traz como título o mesmo nome da dupla. O disco tem uma temática extremamente bucólica, com uma sonoridade que lembra desde a moda de viola e as toadas dos repentistas brasileiros até música típica dos pampas argentinos.

Os presentes, sempre muito animados, não hesitavam em aplaudir durante praticamente todo o show. Por falar nisso, destaque-se as participações de vários artistas da platéia (boa parte sanraimundenses) que abrilhantaram a noite. Destaque especial para o carrom do nosso Duduca Moura que, soando preciso, chegava a parecer uma bateria completa, dada a habilidade do músico com o instrumento.

Enfim, ótima noite, música boa pro nosso povo e nosso povo ajudando a fazê-la. VALORIZEMOS!!!

por James Araujo

Reisado



A equipe do Sertão Vivo acompanhou um evento de extrema importância para a cultura do nosso povo. Trata-se da apresentação teatral do grupo Culturarte ocorrida no dia 06 de janeiro deste ano.

O grupo, que já tem tradição em encenar a peça das festividades de Reis no bairro Gavião, contou este ano com um atrativo a mais: uma peça de autoria do renomado escritor paraibano Ariano Suassuna, intitulada “Torturas de um coração”.

O espetáculo teve palco na famosa “Rua das Pedras”, no bairro Gavião, em frente à residência de um dos membros do grupo Culturarte. Improvisado, o cenário tinha cortinas, luz e objetos confeccionados pelos membros do valente grupo teatral. Como esclareceu um dos atores antes da apresentação, o grupo já batalha há tempos para a construção de uma sede própria, mas sempre esbarram na velha barreira da falta de recursos próprios e do pouco investimento público em cultura.

Bem, falemos do mais importante, o espetáculo. A peça “Torturas de um coração” encenou a estória de um sertanejo “frouxo” (medroso) que almejava conquistar sua amada tirando do páreo os dois maiores valentões da pacata cidade interiorana onde se passava a trama. À lá João Grilo e Chicó (famosos personagem da peça e livro “O auto da Compadecida” escrita em 1955 também por Ariano Suassuna), o personagem nuclear da peça enganou os dois valentões e pregou-lhes uma bela lição de moral. Fim? Engana-se quem pensa que no fim o herói ficou com a mocinha, pois esta não perdeu tempo. Enquanto os outros se demoraram na disputa por sua mão, ela encontrou outro pretendente e com este ficou, dando ao fim da peça um ar de “quase” final feliz.

Logo após a apresentação da peça descrita acima o grupo fechou a noite com o animadíssimo Reisado, em que se passa estória de um mítico Boi, que tem sua trajetória contada com muita música e poesia folclórica. Numa seqüência inebriante de entrada e saída personagens que adornam a narrativa, o (pequeno e empolgado) público presente delirou e aplaudiu muito a apresentação.


Noite mágica.


O grupo Culturarte mostrou que com determinação e boa vontade se pode fazer movimentos culturais mesmo onde não há condições pra tanto .


É gente daqui promovendo cultura. VALORIZEMOS!


por James Araujo

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Comunidade Boi Morto

Essa estória começa aproximadamente a 30 km do município de São Raimundo Nonato em uma comunidade quilombola (onde vivem descendentes de escravos) chamada de Boi Morto.

Quando fui pela primeira vez à comunidade, levei um susto!

Calma eu explico. Sempre passei a maior parte do meu tempo na cidade, sabia que no interior do município havia dificuldades, mas na comunidade Boi Morto além das dificuldades comuns em um interior,existe também a exclusão social por parte dos nossos governantes. Imagine você, lá não tem água encanada, nem energia elétrica, um difícil acesso por conta de estradas ruins, nem obras básicas por parte da prefeitura municipal ou do governo estadual (escolas, praças, posto de saúde, etc). Para não exagerar existe uma barragem feita a não sei quantos anos atrás.

Cheguei até a pensar que nem existia gente por aquelas bandas, foi aí que me enganei. Quanto mais me demorava na comunidade ia descobrindo que existia gente sim, pessoas que surpreenderam bastante. Apesar das dificuldades citadas no texto, lá vivem pessoas de coragem, com sonhos, esperanças, amor.

Conheci seu Audi e a dona Zélia, um casal de coragem, pessoas que enfrentam no seu cotidiano muitas dificuldades, mas eles não se entregam, lutam muito. Seu Audi trabalha na confecção dos cestos do Boi morto, para ajudar na renda de sua família. Para a produção dos cestos ele vai de bicicleta procurar os cipós, a 15 km de distância da sua casa. Quando chega passa mais ou menos 3dias no trabalho artesanal fazendo o cesto. Dona Zélia também o ajuda na produção, mas por enquanto essa produção é só por encomenda.













Agora tenho o prazer de apresentar para você leitor os meninos e meninas da comunidade Boi Morto. São 22 jovens alunos com idades entre 16 e 24 anos que fazem parte do Projovem Rural. Um projeto aplicado pela FUNSEDH (Fundação Social de Educação e Desenvolvimento Humano) que se localiza na cidade de São Raimundo Nonato. Tal projeto tem como finalidade despertar no jovem o espírito de empreendedor para que possam desenvolver uma atividade econômica para sua comunidade.

Tiveram problemas, mas um que estava dando dor de cabeça. Era onde poderia acontecer as aulas, se na comunidade não tem prédio escolar ou qualquer outro espaço para receberem esse curso. Como você imagina que eles fizeram para acontecer esse curso?

Para os jovens do Boi Morto não deixar passar essa oportunidade de conhecimento, se uniram pais e alunos e começaram a trabalhar na construção de uma sala, um espaço para eles receberem as aulas.

Essa sala de aula foi construída com madeira, um telhado de palha. Bem parecida com uma palhoça. Hoje em dia eles estão lá na sala construída por eles mesmos estudando com a esperança de um futuro menos doloroso.

Com essa atitude os jovens da comunidade Boi Morto, estão reescrevendo sua história, se capacitando, superando as dificuldades, recuperando sua cidadania, sonhando com o amanhã, que com certeza será bem mais acolhedor.


Por: Juliano Arão